Virada Sustentável

O Vajra estará presente na 1º edição da VIRADA SUSTENTÁVEL.
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Os guerreiros domaram as bestas
Em seus passados para que os cascos das patas da noite
Não pudessem mais quebrar a visão
Ricamente ornamentada do coração.
O inteligente e o valente
Abrem cada aposento no futuro e expulsam
Todos os fantasmas da mente que têm o mal hábito
De escarrar por toda parte.
Por um longo tempo o universo tem estado
Germinando em sua espinha
Mas apenas um Santo tem o talento e
A coragem de golpear
O gigante-passado e as ansiedades futuras.
O guerreiro
Sabiamente senta-se num círculo com outros homens
Reunindo a força para desmascarar
A Si mesmo.
Depois
Senta, doando,
Como um grande planeta iluminado
Na Terra.
Tradução: Ricardo Melito
Fonte: Portal do Conhecimento Divino

Só temos consciência do belo
Quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom
Quando conhecemos o mal.
Só temos consciência da vitória
Quando conhecemos a derrota.
Ser e existir caminham juntos.
Fácil e difícil se apóiam.
Grande e pequeno definem um e outro.
Alto e debaixo dependem um do outro.
Antes e depois se complementam.
Eis por que o sábio age pelo não agir
E ensina sem falar.
Coisas surgem e ele aceita.
Coisas desaparecem e ele não resiste.
Tudo tem e nada possui.
Tudo faz e nada espera.
Termina sua obra
E sempre está no princípio.
E por isso sua obra é eterna.
A vida suprema é como a água;
nutre tudo, sem tentar.
Em silêncio, se adapta.
aquele, que os homens desprezam…
A água é como o Tao.
Na morada, base.
No pensamento, simplicidade.
No conflito, justo e generoso.
No controle, não controle.
No trabalho, prazer.
Na família, presença
Quando nos contentamos em Ser,
pura e simplesmente Ser,
sem comparar, sem competir…
Realizamos o Essencial.
Encha o vaso até a borda,
Nem uma gota a mais
Afie a faca não mais que o necessário
E ela terá o corte perfeito
Persiga a fama e a vaidade
E seu coração nunca se abrirá
Dependa da aprovação alheia
E torne-se um prisioneiro
O sábio faz o que tem que fazer
E se afasta…
Assim realiza o céu em si mesmo
Pode você dominar a mente das suas dispersões
E mantê-la na sua unidade original?
Pode você deixar o corpo tornar-se flexível
Assim como um recém nascido?
Pode você limpar a visão interna
até que nada se veja, exceto luz?
Pode você amar as pessoas e liderá-las
sem impor a tua vontade?
Pode você lidar com as questões vitais
deixando as coisas tomarem o próprio rumo?
Pode você dar um passo atrás e entender todas as coisas?
Dar o nascimento e o alimento
Ter sem possuir
Agir sem esperar.
Liderar sem controlar.
Este é o caminho da realização.

Todos buscam paz e harmonia, porque isto é o que falta em nossas vidas. De quando em quando todos nós experimentamos agitação, irritação, desarmonia. E, quando sofremos agitação, não restringimos esse sofrimento a nós mesmos. Estamos continuamente distribuindo sofrimento aos outros também. A agitação permeia a atmosfera que circunda o sofredor e todos que entram em contato com essa pessoa se tornam irritados, agitados. Certamente, esse não é um modo apropriado de viver.
Devemos viver em paz com nós mesmos e em paz com os outros. Afinal, seres humanos são seres sociais, têm de viver em sociedade e lidar uns com os outros. Mas como podemos viver pacificamente? Como mantermos-nos em harmonia interior e mantermos a paz e a harmonia ao nosso redor, de forma que também os outros possam viver pacífica e harmoniosamente?
Para livrarmos-nos de nosso sofrimento, temos de saber a razão básica para sua existência, a causa do sofrimento. Se investigarmos o problema, torna-se claro que sempre que começamos a gerar qualquer negatividade ou impureza na mente, certamente nos tornaremos agitados. Uma negatividade na mente – uma contaminação ou impureza mental – não pode coexistir com a paz e a harmonia.
Como começamos a gerar negatividades? De novo, através da investigação, tornase claro. Eu me torno muito infeliz quando acho que alguém age de uma maneira que não gosto ou quando não gosto de alguma coisa que acontece. Coisas indesejadas acontecem e eu gero tensão interior. Coisas que quero não acontecem, alguns obstáculos aparecem no caminho e, novamente crio tensão interior; começo a atar “nós” internos. E, pela vida afora, continuam a acontecer coisas indesejadas e as desejadas podem ou não acontecer e este processo de reação, de atar nós — nós górdios — torna toda a estrutura física e mental tão tensa, tão cheia de negatividade, que a vida se torna um sofrimento.
Uma forma de resolver este problema é dar um jeito para que nada de desagradável aconteça na vida e que tudo aconteça exatamente como queremos. Temos de desenvolver o poder de fazer com que tudo que desejamos aconteça e o que não desejamos não aconteça, ou ter alguém com tal poder que nos ajude sempre que solicitarmos.
Mas isso é impossível. Não há ninguém no mundo cujos desejos sejam sempre
satisfeitos, em cuja vida tudo ocorra de acordo com sua vontade, sem acontecer nada indesejável. Fatos contrários à nossa vontade e ao nosso desejo ocorrem constantemente. Portanto, apesar de todas essas coisas que me desagradam, como posso parar de reagir cegamente? Como posso evitar gerar tensões? Como poso permanecer pacífico e harmônico?
Na Índia, assim como em outros países, pessoas sábias e santas do passado estudaram esse problema — o problema do sofrimento humano — e encontraram uma solução: se algo indesejável ocorre e você começa a reagir gerando raiva, medo ou qualquer outra negatividade, então, você deve desviar sua atenção o mais rapidamente possível para uma outra coisa qualquer. Por exemplo, levante-se, pegue um copo d’água, comece a bebê-la e sua raiva não se multiplicará; pelo contrário, começará a diminuir. Ou comece a contar: um, dois, três, quatro. Ou comece a repetir uma palavra, ou uma frase, ou algum mantra: isso é facilitado se usar o nome de uma divindade ou de um santo pelo qual você tenha devoção. A mente se distrairá e, até certo ponto, você estará livre da negatividade, livre da raiva.
Essa solução foi útil, deu certo. Ainda dá. Praticando isso, a mente sente-se livre da agitação. Entretanto, essa solução atua apenas no nível consciente. Na verdade, ao desviar a atenção, você empurra a negatividade profundamente para o inconsciente e, nesse nível, continua a gerar e multiplicar a mesma impureza. Na superfície há uma camada de paz e harmonia mas, nas profundezas da mente, jaz um vulcão adormecido de negatividade reprimida que, de quando em quando, explodirá em violenta erupção.
Outros exploradores da verdade interior foram ainda mais longe em sua busca e, experimentando a realidade da mente e da matéria neles mesmos, concluíram que desviar a atenção é apenas fugir do problema. Fugir não é a solução; você tem de enfrentar o problema. Toda vez que a negatividade surgir na mente, simplesmente observe-a, enfrente-a. Assim que começarmos a observar uma impureza mental, ela começará a perder toda a sua força. Lentamente irá murchar e será extirpada.
Uma boa solução: evitar os dois extremos da repressão e da livre manifestação. Enterrar a negatividade no inconsciente não a erradicará; e permitir sua manifestação com ações verbais ou físicas prejudiciais apenas criará mais problemas. Mas se você apenas observar, então, a impureza desaparecerá e você estará livre dela.
Isso parece maravilhoso, mas será realmente prático? Quando a raiva surge, apodera-se de nós tão rapidamente que nem mesmo percebemos. Então, dominados por ela, dizemos ou fazemos coisas que prejudicam aos outros e a nós mesmos. Mais tarde, quando ela passa, começamos a chorar e nos arrependemos, pedindo perdão a uma pessoa ou outra, ou a um deus: “Ah, cometi um erro, por favor, me desculpe!” Mas da próxima vez em que nos encontrarmos em uma situação semelhante, reagiremos da mesma forma. Todo esse arrependimento não ajuda em nada. A dificuldade é que não temos consciência quando uma impureza surge. Ela surge no nível profundo na mente inconsciente e, quando chega ao nível consciente, já ganhou tanta força que nos domina sem que possamos observá-la.
Vamos supor que eu contrate um secretário particular e toda vez que a raiva surja ele diga: “olhe, a raiva está começando!”. Como não sei a que horas a raiva vai começar, terei de contratar três secretários para os três turnos: manhã, tarde e noite!
Suponhamos que possa arcar com isso e que a raiva comece. Assim que meu secretário me avisar, “ah, senhor, veja — a raiva começou!”, a primeira coisa que farei será dar-lhe um tabefe e xingá-lo: “Seu imbecil, acha que é pago para me ensinar?”
Estou tão dominado pela raiva que nenhum bom conselho ajudará.
Suponhamos que o discernimento prevaleça e eu não o agrida. Em vez disso, digo: “Muito obrigado. Agora preciso me sentar e observar minha raiva.” Será que é possível?
Ao fechar os olhos e tentar observar a raiva, o objeto da minha raiva imediatamente surge em minha mente — a pessoa ou o fato que a iniciou. Logo, não estarei observando a raiva pura, mas meramente o estímulo externo dessa emoção. Isso servirá apenas para multiplicar a raiva; e, portanto, não é a solução. É muito difícil observar qualquer negatividade abstrata ou emoção abstrata separada do objeto externo que originariamente foi responsável pelo seu surgimento.
Entretanto, alguém que atingiu a verdade suprema encontrou uma solução real.
Descobriu que sempre que uma impureza surge na mente, duas coisas começam a acontecer simultaneamente no plano físico. Uma é que a respiração perde o seu ritmo normal. Começo a respirar mais forte sempre que a negatividade surge na mente. Isso é fácil de se observar. Ao mesmo tempo, em um nível mais sutil, uma reação bioquímica começa no corpo, resultando em uma sensação. Toda impureza irá gerar uma sensação ou outra, em alguma parte do corpo.
Isso oferece uma solução prática. Uma pessoa comum não pode observar impurezas abstratas da mente — medo, raiva ou paixão abstrata. Mas, com a prática e treinamento adequados, é muito fácil observar a respiração e as sensações corporais, ambas diretamente relacionadas às impurezas mentais.
A respiração e as sensações vão ajudar de duas formas. Primeiramente, serão como que secretários particulares. Assim que uma negatividade surgir na mente, a respiração perderá sua normalidade; começará a gritar: “olhe, alguma coisa deu errado!”.
Eu não posso repreender minha respiração; tenho que aceitar esse aviso. Da mesma forma, as sensações vão dizer que algo vai mal. Então, tendo sido avisado, poderei começar a observar a respiração e as sensações e, muito rapidamente, verifico que a negatividade cessa.
Esse fenômeno físico-mental é como duas faces de uma moeda. Em uma das faces, estão os pensamentos e as emoções surgindo na mente; na outra, estão a respiração e as sensações corporais. Quaisquer pensamentos ou emoções, quaisquer impurezas mentais que surjam, manifestam-se na respiração e nas sensações daquele momento.
Logo, observando a respiração ou as sensações, estamos, de fato, observando as impurezas mentais. Em vez de fugirmos do problema, estaremos encarando a realidade como ela é. Como resultado veremos que essas impurezas perderão sua força; não mais nos dominarão como no passado. Se persistirmos, elas finalmente desaparecerão por completo e começaremos a viver uma vida pacífica e feliz, uma vida cada vez mais livre das negatividades.
Dessa forma, essa técnica de auto-observação mostra-nos a realidade em seus dois aspectos: interior e exterior. Previamente olhávamos apenas para fora, perdendo a verdade interior. Procurávamos sempre fora de nós a causa de nossa infelicidade; sempre culpávamos e tentávamos modificar a realidade externa. Por ignorar a realidade interior, não se entendia que a causa do sofrimento está dentro de nós, em nossas reações cegas.
É difícil observar uma negatividade abstrata quando surge. Mas agora, com o treinamento, é possível ver o outro lado da moeda. Podemos tomar consciência da respiração e também do que acontece dentro de nós. O quer que seja, respiração ou sensação, aprendemos a simplesmente observar sem perder o equilíbrio mental. Paramos de multiplicar nosso sofrimento. Em lugar disso, se permite que as impurezas se manifestem e desapareçam.
Quanto mais praticamos essa técnica, mais rapidamente as negatividades desaparecerão. Pouco a pouco, a mente tornar-se-á livre de impurezas, tornar-se-á pura. Uma mente pura é sempre cheia de amor — amor desinteressado por todos os outros; cheia de compaixão pelas falhas e sofrimentos dos outros; cheia de alegria pelo seu sucesso e felicidade; cheia de equanimidade diante de qualquer situação.
Quando se atinge esse estágio, todo nosso padrão de vida começa a se transformar. Não é mais possível fazer ou falar qualquer coisa que perturbe a paz e a alegria dos outros. Em vez disso, uma mente equilibrada não apenas torna-se pacífica, ajuda os outros a também se tranquilizarem. A atmosfera que cerca uma tal pessoa se tornará permeada de paz e harmonia, e isso começará a afetar os demais também.
Esse foi o ensinamento do Buda: uma arte de viver. Ele nunca estabeleceu ou ensinou nenhuma religião, nenhum “ismo”. Nunca instruiu aqueles que o procuravam a praticar qualquer rito, ou ritual, ou alguma formalidade vazia. Ao contrário, ensinava-os a observar a natureza tal como ela é, observando a realidade interior. Na ignorância continuamos a reagir de determinadas maneiras que prejudicam a nós e aos outros. Porém, quando a sabedoria surge — a sabedoria de observar a realidade como ela é — esse hábito de reagir vai embora, desaparece. Quando paramos de reagir cegamente, então, somos capazes da ação verdadeira — ação proveniente de uma mente equilibrada e equânime, uma mente que vê e compreende a verdade. Tal ação poderá ser tão somente positiva, criativa e benéfica para nós e para os outros.
Logo, o que é necessário é “conhecer-se a si mesmo” — conselho dado por todo sábio. Precisamos conhecer a nós mesmos, não apenas intelectualmente, no nível teórico e das ideias. Tampouco significa nos conhecermos emocional ou devocionalmente, apenas aceitando cegamente o que ouvimos ou lemos. Tal conhecimento não é suficiente. Mais do que isso, precisamos conhecer a realidade experimentalmente. Precisamos experimentar diretamente a realidade desse fenômeno físicomental. Só isso nos ajudará a libertar-nos de nosso sofrimento.
sexta-feira com arte, gastronomia, bem-estar e integração
SEXTA, 12 de março, 20h
20h – Prática de Yoga
20h50 – Nidra
21h – Sopa
21h30 – Kirtans/Bhajans [ banda Trio Om ]
convidados> prática: R$10 | sopa: R$5 | show: R$10
alunos> prática: R$5 | sopa: R$5 | show: R$10
Pergunta: O que é meditação (Dhyana)?
Bhagavan: É permanecer como seu próprio Ser sem desviar-se de maneira nenhuma de sua natureza real e sem sentir que você está meditando.
P: Qual é a diferença entre Dhyana e Samadhi?
B: Dhyana é alcançada através de esforço mental deliberado. Em Samadhi não há tal esforço.
P: Quais são os fatores a serem mantidos em vista na meditação?
B: É importante para aquele que está estabilizado no seu Ser (atmanishtha) observar que ele não se desvie nem um pouquinho de sua absorção. Ao desviar de sua natureza real, ele pode ver diante de si refulgências brilhantes, ou escutar sons incomuns, ou considerar reais visões de Deuses aparecendo dentro e fora de si mesmo. Ele não deveria ser enganado por tais coisas e esquecer de Si.
P: Não encontro meios de ir para dentro através da meditação.
B: Onde mais estamos agora? Nosso próprio Ser é isso.
P: Mesmo assim somos ignorantes.
B: Ignorantes do que, e de quem é a ignorância? Se a ignorância é a respeito do Ser existem dois si mesmos (Selves)?
P: Não há dois. Mas o sentimento de limitação não pode ser negado.
B: As limitações são apenas da mente. Você as sentia no sono profundo? Você existe no sono profundo. Você não nega a sua existência então. O mesmo Ser está aqui e agora no estado desperto. Você está dizendo agora que há limitações. O que aconteceu agora é que existem diferenças entre os dois estados. As diferenças devem-se à mente. Não há mente no sono profundo, enquanto que agora ela está ativa. O Ser existe na ausência da mente também.
P: Embora isso seja entendido, não é percebido.
B: Será pouco a pouco, com meditação.
P: Meditação é com a mente. Como ela pode matar a mente para poder revelar o Ser?
B: Meditação é firmar-se a um pensamento. Aquele único pensamento mantém afastados os outros pensamentos. Distração da mente é um sinal de sua fraqueza. Através de constante meditação ela ganha força, ou seja, a fraqueza dos pensamentos fugitivos dá lugar ao duradouro pano de fundo livre de pensamentos. Essa vastidão desprovida de pensamentos é o Ser. A mente em pureza é o Ser.
P: Como a meditação deve ser praticada?
B: Verdadeiramente falando, meditação é fixar-se no Ser. Mas quando os pensamentos cruzam a mente e fazemos um esforço para eliminá-los, o esforço geralmente é chamado de meditação. Atmanishtha (estar fixado no Ser) é a sua natureza real. Permaneça como você é. Esse é o objetivo.
P: Mas os pensamentos aparecem. Nosso esforço serve apenas para eliminar os pensamentos?
B: Sim. A meditação sendo em um único pensamento, os outro pensamentos são mantidos longe. A meditação apenas é negativa com efeito, na medida em que os pensamentos são mantidos afastados.
P: Fala-se em ‘fixar a mente no Ser’ (atma samstham manah krtva). Mas não é possível pensar no Ser.
B: De qualquer modo, por que você deseja meditar? Porque você deseja meditar, lhe é dito para ‘fixar a mente no Ser’. Por que você não permanece como você é sem meditar? O que é esta mente? Quando todos os pensamentos são eliminados ela se torna ‘fixada no Ser’.
P: Se uma forma for dada, eu posso meditar nela e os outros pensamentos são eliminados. Mas o Ser é sem forma.
B: A meditação em formas ou objetos concretos é dita ser Dhyana, enquanto que investigação do Ser é Vichara ou a ininterrupta consciência de ser (de existir).
P: Há mais prazer na meditação do que nos prazeres sensuais. Ainda assim a mente se apressa para obter os prazeres sensuais e não busca a meditação. Por que é assim?
B: Prazer e dor são aspectos da mente apenas. Nossa natureza essencial é a felicidade. Mas nós esquecemos de nós mesmos (do Ser) e imaginamos que o corpo ou a mente são o Ser. É essa identidade errada que gera miséria. O que deve ser feito? Essa tendência mental é muito antiga e tem continuado por inúmeros nascimentos passados. Dessa forma ela tem ficado mais forte. Ela tem que ir antes que a natureza essencial, a felicidade, se afirme.
P: A Meditação é praticada com os olhos abertos ou fechados?
B: Pode ser feita de ambos os jeitos. O ponto é que a mente deve estar introvertida e ser mantida ativa na sua busca. As vezes acontece que quando os olhos estão fechados, os pensamentos latentes se apressam com grande vigor. Pode ser difícil também introverter a mente com os olhos abertos. Requer força da mente para fazer isso. A mente fica contaminada quando ela absorve objetos. Quando não, ela é pura. O principal fator na meditação é manter a mente ativa na sua busca sem absorver impressões externas ou pensar em outros assuntos.
P: Sempre que medito sinto um grande calor na cabeça e, se persisto, meu corpo todo queima. Qual é a solução?
B: Se a concentração é feita com o cérebro, surgem sensações de aquecimento ou mesmo dor de cabeça. A concentração tem que ser feita no Coração, o qual é fresco e refrescante. Relaxe e a sua meditação será fácil. Mantenha sua mente estável gentilmente repelindo todos os pensamentos intrusos mas sem esforço excessivo. Em breve você conseguirá.
P: Como evito de cair no sono enquanto medito?
B: Se você tentar evitar o sono isso significará pensar na meditação, o que deve ser evitado. Mas se você adormecer enquanto estiver meditando, a meditação irá continuar mesmo durante e depois do sono. Ainda assim, sendo o sono um pensamento, devemos nos livrar dele, pois o estado natural final tem que ser obtido conscientemente no estado desperto (jagrat) sem o pensamento perturbado . O sono e o estado desperto são meras imagens na tela do estado nativo livre de pensamentos. Deixe-os passarem desapercebidos.
P: Sobre o que deve-se meditar?
B: No que você preferir.
P: Shiva, Vishnu e Gayatri são ditos como sendo igualmente eficazes.
B: Qualquer um que você gostar mais. São todos iguais em seu efeito. Mas você deveria se firmar a um.
P: E como eu medito?
B: Concentre naquele que você gosta mais. Se um único pensamento prevalece, todos os outros pensamentos são colocados para fora e finalmente são erradicados. Enquanto a diversidade prevalece há maus pensamentos. Quando o objeto de amor prevalece apenas, os bons pensamentos mantém-se no campo. Portanto, segure-se a um pensamento apenas. Dhyana é a prática principal.
Dhyana significa luta. Assim que você começa a meditação, outros pensamentos se aglomeram; junte força e tente aprofundar o único pensamento com o qual você tenta se manter. O pensamento bom gradualmente deve ganhar força através de repetida prática. Depois de ter ficado forte os outros pensamentos vão ser mandados para longe. Essa é a batalha real que sempre acontece na meditação.
A pessoa quer livrar-se da miséria. Isso requer paz da mente, que significa ausência de perturbação devida a todos os tipos de pensamentos. A paz da mente é trazida pela meditação apenas.
O resultado final da prática de qualquer tipo de meditação é que o objeto no qual o buscador fixa sua mente deixa de existir como separado e distinto do sujeito. Eles, o sujeito e o objeto, tornam-se o Ser uno, e esse é o Coração.
P: Por que Sri Bhagavan não nos diz para praticarmos concentração em algum centro particular ou chakra?
B: O Yoga Sastra diz que o sahasrara (o chakra localizado no cérebro) é o lugar do Ser. O Purusha Suka declara que o coração é o lugar dele. Para permitir que o buscador se livre de qualquer dúvida possível, eu lhes digo para trilhar o caminho ou a pista do ‘sentido de eu’ (I’ness) ou o ‘sentido de eu sou’ (I’am-ness) e segui-lo até a sua fonte. Porque, primeiramente, é impossível para alguém levantar qualquer dúvida a respeito dessa noção de ‘eu’. Em segundo lugar, qualquer que seja o meio adotado, o objetivo final é a realização da fonte do ‘sentido de eu sou’ o qual é o dado primário da sua experiência.
Se você praticar portanto a investigação de si, você alcançará o Coração que é o Ser
P: Qual é a diferença entre meditação (dhyana) e investigação (vichara)?
B: Ambos dão no mesmo. Aqueles que não se adequam à investigação devem praticar meditação. Na meditação o aspirante, esquecendo a si mesmo, medita ‘eu sou Brahman‘ ou ‘eu sou Shiva‘ e através desse método se mantém em Brahman ou Shiva. Isso irá terminar finalmente com a consciência residual de Brahman ou Shiva na forma do Ser (da própria existência). Ele irá então perceber que isso é o puro Ser, ou seja, o Si mesmo real.
Aquele que se engaja na investigação começa mantendo-se em si mesmo, e perguntando a si mesmo ‘Quem sou eu?’ o Ser (o Si mesmo real) torna-se claro para ele.
A pessoa imaginar mentalmente que ela é a realidade suprema, que brilha como existência-consciência-contentamento, é meditação. Fixar a mente no Ser para que a semente irreal da ilusão morra, é investigação.
Quem quer que medite sobre o Ser em qualquer imagem mental (bhava) atinge-o apenas naquela imagem. Aquelas pessoas pacificas que permanecem quietas sem nenhuma imagem mental desse tipo atingem o nobre e inqualificável estado de Kaivalya, o estado sem forma do Ser.
P: A meditação é mais direta do que a investigação pois mantém-se na verdade enquanto que a investigação filtra a verdade da irrealidade?
B: Para um iniciante a meditação em uma forma é mais fácil e agradável. A prática dela leva à investigação de si que consiste em peneirar a verdade da irrealidade.
Qual é a utilidade de segurar-se na verdade quando você está cheio de fatores antagônicos?
A investigação de si conduz diretamente à realização ao remover os obstáculos que fazem você pensar que o Ser ainda não está realizado.
A meditação difere de acordo com o grau de desenvolvimento do buscador. Se a pessoa estiver apta, ela deve se manter no pensador, e o pensador irá automaticamente afundar-se na sua fonte, a pura consciência.
Se a pessoa não pode segurar-se diretamente no pensador ela deve meditar em Deus e no devido tempo esse mesmo indivíduo terá se tornado suficientemente puro para se manter no pensador e afundar-se no Ser absoluto.
A meditação é possível apenas se o Ego é mantido. Existe o ego e o objeto sobre o qual se está meditando. O método é portanto indireto pois o Ser é apenas um. Buscando o ego, ou seja, a fonte dele, o ego desaparece. O que sobra é o Ser. Esse método é o direto.
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Trecho extraído e traduzido do livro “Be as You Are” de David Godman

O Mahábharáta é a maior obra literária já produzida pela humanidade. Com seus 150 mil versos agrupados aos pares é maior do que a Ilíada e a Odisséia juntos, seus equivalentes gregos com cerca de l5.700 versos simples e 12.100 versos simples, respectivamente.
O Mahábharáta conta as guerras intestinas que marcaram o apogeu e o final do período medieval védico ariano. Muitos diálogos, relatos e fábulas de criaturas fabulosas, deuses e demônios, ao lado de pequenas historias de fundo moral aparecem nesta epopéia nacional.Este épico discute o valor pessoal, entre outras abordagens, ou o simples e fatal poder do curso do tempo? Qual é, a final, o fator mais decisivo?
O primeiro representado pelo herói-virya, que nunca se rende e luta contra todos os reveses e, é capaz de vencer a obstinação imposta pelo destino.
O argumento oposto, na luta vital pela sobrevivência e o êxito, é de um total fatalismo. A maioria de bravos guerreiros capitulou, no decorrer da história humana, vencida por aqueles satisfeitos com as carícias da fortuna, que ocuparam com orgulho e segurança o lugar do herói.
Essa controvérsia se depara com o poder supremo do tempo (Kala).
Em certo momento, os deuses vencem os antideuses e obtêm a vitória.Porém as marés misteriosas do tempo voltam, derrotam o herói auxiliado pelos deuses, e retomam seu poder.
Essa controvérsia na Índia nunca foi resolvida, entre aqueles que aceitam o decreto do tempo ou o destino, ou aqueles que defendem a eficácia do valor.
Parece que esta controvérsia entre o valor e o poder se estende no Bhagavad Gita.
O Bhagavad Gita foi inserido no Mahábhárata e situa-se dentro da sexta seção, desenrolando-se ao longo de 18 capítulos que somam setecentos versos duplos(shlokas).
O tema central do Gítá é o Dharma e expressa uma condição que deve ser alcançada pelo hindu por meio de suas práticas para que suas obrigações para com Deus ou com a natureza sejam cumpridas.
Estas condições obedecidas garantem a estabilidade e segurança da ordem social. Isto é o Dharma que vem da raiz DhR, que significa segurar, manter. Este conceito expressa a vida do hindu em busca permanente do que tem atributos de eternidade- o Sanathana Dharma.
O Svadharma é o dharma a ser realizado individualmente.
Embora o Yoga não tenha amadurecido como doutrina quando foi composto o Bhagavad Gita, Krishna parece defender o dharma de casta, porém baseia-se no conceito fundamental do Yoga, segundo o qual a única referência válida está dentro do coração de cada indivíduo.
A renúncia às ações era prática de um segmento social conhecido como shramanas, que tinha um perfil místico, pouco devotado às teorias. E é destas práticas shramanicas que se está falando no Bhagavad Gita.
A resposta de Krishna a Arjuna, com respeito a renunciar as ações ou praticá-las é esclarecedora para a manutenção do Dharma: “renunciamento (samnyasa) e uso (Yoga) da ação são ambas incomparáveis (em relação a outras opções), mas entre elas o uso da ação (karmayoga) se destaca”.
O elemento mais importante nas práticas do Yoga é a disciplina mental, descrito no Bhagavad Gita: “este mundo só é conquistado por aqueles cuja mente está equilibrada” (V, 19).
E mais, o Yogi é aquele que recolhe sua mente para o interior, se assenta apenas no si mesmo e se desapega dos desejos mundanos(VI, l8). Talvez, essa menção seja dirigida por àqueles renunciante liberais (shramanas) que com sua disciplina e sua bondade tratavam por igual amigos e inimigos, e traziam segurança e tranqüilidade nos momentos em que o medo ameaçava a ordem social (Dharma).
Assim, se estabeleceu o axioma na cultura hindu –satyam eva jayati (somente a verdade vence), frase estampada no brazão nacional da Índia.
Em resumo, o Yoga descrito no Gita é o processo de desapego que conquista a tranqüilidade da mente para a descoberta do si mesmo.
“Diz-me, ó Sanyaya, que fizeram meus filhos e os filhos de Pandu, prontos para o combate, reunidos no campo de Kuru, o campo do dever.”
Bhagavad Gita, capítulo I.
O corpo humano é o campo de batalha onde se dá o eterno duelo entre o Bem e o Mal. Portanto, pode ser transformado na porta de entrada para a Liberdade. Nasceu em pecado e se converte na semente do pecado. Daí que seja chamado de campo de Kurû. Os Kauravas representa as forças do Mal, os Pandavas as forças do Bem. Quem jamais experimentou dentro de si mesmo o conflito diário entre essas forças do Mal e as do Bem?
O Gita não é um discurso histórico. Necessita-se amiúde de uma ilustração física para se demonstrar uma verdade espiritual. Isto não é a descrição de uma guerra entre primos, e sim entre nossas duas natureza – o Bem e o Mal. Eu considero Duryodhana e os seus como os baixos impulsos do homem,
Trecho extraído do livro “Bhagavad Gita segundo Gandhi” traduzido por Norberto de Paula Lima da Editora Ícone.
Sanyaya – Nome do narrador do Bhagavad Gita, Sanyaya é ministro de do rei
Pandu – Rei que dá nome a linhagem dos Pandavas, a qual Arjuna faz parte
Kuru – Rei que dá nome a linhagem dos Kauravas, antepassado comum de Dhritarashtra e Pandu.
Campo de Kuru – Também chamdado de Kurukshetra, local próximo a moderna Delhi
O contentamento é a capacidade do yogin de sempre extrair uma plenitude de alegria daquilo que ele tem e daquilo que ele é, sem que nenhuma provação exterior, nem qualquer dificuldade interior possa lhe tirar a serenidade. Deve apreciar aquilo que tem, encontrar o bastante no pouco que possui. Do mesmo modo que para se preservar dos espinhos basta calçar sapatos, sem que seja necessário atapetar todo o solo com couro, assim é pelo contentamento que se atinge a felicidade, e não pensando: “serei feliz quando obtiver aquilo que desejo”, pois os desejos não têm fim. Pelo contentatmento, o yogin cria dentro de si uma chama de beatitude que irradia e influencia tudo que o rodeia. Esse contentamento não deve sucumbir diante de qualquer contrariedade, e requer uma igualdade de espírito no sucesso e no fracasso, segundo o Bhagavad-Gita, capítulo II versos 55 ao 57:
“Quando um homem, ó Pârtha, expulsa de seu espírito todos os desejos, e satisfaz-se em si mesmo pelo seu próprio Ser, diz-se que está firme em sua compreensão”.
“Aquele cujo espírito não vacila na adversidade, que não procura agarrar-se aos prazeres, aquele a quem abandonaram a atração, o medo
Quando o yogin não mais está à mercê das ondas de emoção que o excitam ou o deprimem, quando se mantém acima das alterações e mudanças exteriores e pode conservar um equilíbrio interior em meio aos golpes e imprevistos da vida, ele acançou a equanimidade absolutamente indispensável para atravessar ileso e vitorioso todos os obstáculos que se levantam sobre seu caminho.
Trecho extraído do livro “O Yoga” de Tara Michaël da Ed. Zahar Editores, Rio de Janeiro edição de 1976. III Capítulo “O Yoga Clássico” página 79 e 80.